A agenda ambiental tem ganhado relevância e destaque na atual conjuntura.

Isso se deve principalmente em razão das ações de uma direita que tem atuado globalmente   na perspectiva de ampliação de um novo ciclo do capital que ataca sobremaneira todas as conquistas socioambientais impondo um retrocesso civilizatório, bem como mudanças drásticas que – conforme a comunidade científica – ameaçam a continuidade da vida na terra do modo em que a conhecemos hoje.

O capital, ancorado em governos que não disfarçam seus compromissos com o que há de mais retrogrado, tem potencializado a lógica extrativista, de mineração e da economia baseada na exploração dos recursos naturais, em especial nos países periféricos.

No Brasil, após um golpe que começou com a deposição de Dilma e culminou com a prisão ilegal de Lula e seu impedimento de disputar as eleições, o governo Bolsonaro,  eleito através das mentiras das Fake News , vem atacando direitos sociais e ambientais importantes e históricos: temos hoje o aumento vertiginoso do desmatamento na Amazônia e em outros biomas; a reprodução insistente da lógica fundiária voltada para o agronegócio, o massacre de povos indígenas e de populações tradicionais; o negacionismo das mudanças climáticas que estão em curso e de seus impactos catastróficos; o desmonte do sistema de preservação ambiental, abrindo caminho para a aceleração da devastação; a adoção de medidas que beneficiam criminosos, garimpeiros, fazendeiros e grileiros  e estimulam mais crimes ambientais;

A privatização, a mercantilização da água e do saneamento ; a liberação absurda de novos agrotóxicos extremamente tóxicos que contaminam solos, lençóis freáticos e toda a cadeia alimentar gerando mortes em massa de animais, que causam mortes e doenças, como câncer, nos seres humanos; a entrega de jazidas de combustíveis fósseis e de outros recursos minerais, solapando qualquer possibilidade de soberania nacional vem colocando em xeque inúmeros ecossistemas.

Contraditoriamente, a crise ambiental também tem ampliando  o debate acerca de qual modelo de sociedade queremos e aberto oportunidades para repensarmos os processos históricos impostos pelo desenvolvimento como modelo e alternativa de sociedade.

Soma-se a isso a criminalização de movimentos sociais do campo e da cidade; a perseguição de servidores dos órgãos ambientais, de pesquisadores e da própria ciência. Essas ações não têm passado incólumes aos olhos de boa parte da sociedade, que se mobiliza para resistir a esses ataques. A Greve do Clima e o surgimento de inúmeros coletivos, fóruns e frentes sociais vem aglutinando setores e movimentos que partem do entendimento de que o capitalismo é o grande motor de impactos irreversíveis na natureza, no planeta, e portanto, nas vida das pessoas.

Há a compreensão de que as crises ambientais afetam mais as pessoas desfavorecidas e vulneráveis por meio do aumento no número de refugiados ambientais, por meio da insegurança alimentar, dos preços mais altos dos alimentos, por meio da perda de trabalho, de renda, da terra e de oportunidades.

Boa parte desses movimentos e iniciativas têm atraído vários militantes do campo de esquerda e centro esquerda interessados em aprofundar a questão ambiental como tema estruturante dos processos de enfrentamento ao capitalismo.  como é  o caso do Fórum Popular da Natureza, que será realizado em março de 2020, e que tem em seu grupo organizativo, as principais centrais sindicais – com vários de seus sindicatos, as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, movimentos de moradia, coletivos de mulheres, movimentos  autonomistas,  pesquisadores de várias universidades, artistas, grupos religiosos entre outros. Há outros exemplos de iniciativas com o mesmo potencial de adquirir grandes proporções, como é o caso da Coalizão pelo Clima e da Frente Ampla Democrática Socioambiental (FADS).

Está se criando a compreensão de que a luta pela defesa do meio ambiente está intimamente ligada à luta dos trabalhadores e trabalhadoras por uma sociedade mais justa e igualitária, em contraposição a uma visão econômico-desenvolvimentista consolidada pelo capitalismo.

Os próximos anos serão marcados e, muito provavelmente, protagonizados pelas  temáticas ambientais, as quais estarão presentes no processo eleitoral que se avizinha: nosso partido, parlamentares, candidatos, dirigentes e militantes precisam compreender que não cabem mais visões monocromáticas e pessoais, precisam compreender que hegemonia se conquista no chão, na rua, na luta, na militância e no reconhecimento de lideranças por meio de ações concretas e não com resoluções  e decretos.

Por este e outros motivos, nós da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento do PT/SP e do coletivo que compõe o Setorial de Meio Ambiente, julgamos importante que esse debate esteja presente no próximo congresso do PT.

Todavia, esse debate deve ser colocado a partir da compreensão de que não se trata de um assunto de especialistas ou de ambientalistas pura e simplesmente. Mas da compreensão de que as pautas socioambientais devem ser tratadas pelo partido como um todo de uma perspectiva estratégica nessa janela histórica de realizarmos uma luta anticapitalista, na proporção e na dimensão que a conjuntura exige.

Assim, convidamos representantes das chapas para uma Roda de Conversa que será realizada no dia 17 de outubro, entendendo que o debate socioambiental é absolutamente necessário para a agenda do próximo Congresso do PT.

Fonte: Por Secretaria Estadual do Meio Ambiente do PT Paulista. 

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