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A espiral de destruição social e econômica na qual o presidente de extrema direita Jair Bolsonaro está lançando o Brasil pode levar o país a uma crise sem precedentes, não só com o aprofundamento dodesemprego e da pobreza, mas também com o comprometimento da soberania nacional. O alerta foi feito hoje (24) pelo ex-candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, durante reunião com a Bancada do PT na Câmara e no Senado – além do governador Wellington Dias, do Piauí – para discutir a conjuntura e a resistência contra os retrocessos patrocinados por Bolsonaro, como a desastrosa proposta de reforma da Previdência (PEC 06/2019).

Para ele, a PEC, se aprovada, vai levar à contração econômica, prolongando a estagnação e levando o país necessariamente a uma grave crise social, já que a reforma da Previdência significa necessariamente redução do poder de consumo da população. “Essa reforma não vai gerar investimentos, vai trazer mais crise”, advertiu.

Bacia das almas

Como a reforma da Previdência não significa a solução para os males econômicos do País, o governo poderá ficar tentado a vender o patrimônio público na bacia das almas, alertou Haddad. Ele criticou a possibilidade de Bolsonaro vender “as joias das coroas”, como a Petrobras, o Banco do Brasil, o Banco do Nordeste, entre outras empresas públicas, com o objetivo de minimizar – sem eficácia – o déficit público.

Para o economista e advogado, a temperatura política do Brasil vai subir ainda mais, já que a crise é retroalimentada pelo governo, por intermédio do uso de redes sociais. Segundo ele, como Bolsonaro não produz nada positivo, desvia os assuntos na tentativa de se esconder os problemas do país, como o desemprego e a falta de perspectivas para a população.

Segundo Haddad, Bolsonaro tem um projeto que subordina o Brasil aos interesses estrangeiros, o qual, se não for contido, levará o País a ser novamente colônia, produzindo meramente grãos e matérias primas.

Ataque aos pobres

“Trata-se de um projeto que prega a austeridade, atacando o direitos dos pobres, e de bondade com os ricos, com a venda de patrimônio público a preço vil”, afirmou. Segundo ele, Bolsonaro adota um modelo ultraneoliberal que já foi sepultado nos países de economia central, após a crise de 2008. O atual presidente, segundo Haddad, “vai na contramão do que deveria ser feito”, seguindo um modelo ultrapassado “enquanto o resto do mundo sai dele”.

Haddad lembrou que Bolsonaro se elegeu com a ajuda de uma “monstruosa máquina de propaganda”, que espalhou mentiras antes e durante a campanha presidencial. Ele alertou que as mentiras continuam a ser disseminadas. “Do contrário, ele não teria 35% de aprovação da população”, afirmou, citando pesquisa CNI/ Ibopedivulgada nesta quarta-feira (24).

“Ele (Bolsonaro) não é nada”, disse, lembrando que em pouco mais de 100 dias Bolsonaro só destruiu direitos e conquistas, mas ainda mantém o índice de aprovação de 35% graças à máquina de guerra de comunicação que ainda mantem nas redes sociais.

A união permanente da oposição no Congresso, juntamente com os movimentos sociais, sindicais e populares, é o principal caminho para denunciar, enfrentar e reverter os retrocessos do atual do governo. Haddad observou que o programa econômico de Bolsonaro privilegia o setor financeiro, em detrimento do produtivo, que gera empregos e renda para o país. Ele criticou a especulação permanente do mercado financeiro e elogiou o papel central do setor produtivo para a economia nacional.

O petista inseriu o neofascismo de Bolsonaro dentro de um movimento mundial de fortalecimento da direita, mas manifestou otimismo na mobilização popular para reagir contra o atual governo, já que o programa econômico que ele pretende implementar não tem viabilidade.

Ele criticou ainda os ataques do governo atual às universidades. “É nas universidades onde se forja a identidade nacional, onde as grandes questões do país são debatidas. O patriotismo é forjado ali, de forma crítica. É na Universidade onde se avaliam os remédios para sarar as deficiências do País”, disse.

Por PT na Câmara

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