Baixada Santista - SAIPEM: a complicada questão do acesso

Um projeto de alto impacto que vai dar o que falar, nos próximos meses.

Por http://olharpraiano.blogspot.com.br
Quinta-feira, 23 de agosto de 2012

A questão do acesso ao futuro terminal da empresa SAIPEM, em Guarujá, que abordei em post do último dia 13/8 (leia abaixo) , pode ser melhor visualizada na imagem, na qual assinalei, com linhas pontilhadas, os possíveis trajetos das carretas.

As alternativas são, em vermelho (por Santos), a mencionada no EIA/RIMA, por meio da Av. Mario Covas (antiga Av. dos Portuários) e com uso de balsa para cruzar o canal do Porto; e em amarelo (por Guarujá), pela SP-55, acessando a Av. Adhemar de Barros e cortando o bairro Santa Rosa, em área residencial, para acessar o terminal via rodoviária.

É evidente que a segunda alternativa é extremamente complexa, pois as carretas cortariam área residencial, para chegar no destino. Contudo, a alternativa via balsa, além de aumentar substancialmente o trânsito de carretas de grandes dimensões no eixo das avenidas Perimetral e Mário Covas, exigiria uma intervenção na área do Ferry Boat, do lado de Santos, que poderia colocar em risco o Terminal Pesqueiro Público de Santos e poderá comprometer o acesso ao próprio Porto, durante a madrugada.

Outra alternativa, não assinalada no mapa, seria o acesso hidroviário, pelo canal do porto, o qual dependeria da escolha de um local para embarque da carga, que poderia ocorrer em algum ponto do complexo portuário. Esta última, que considero bem mais sensata, dependeria de entendimentos com a autoridade portuária.

Portanto, observa-se que a decisão de implantação da SAIPEM, em terreno localizado no Complexo Industrial Naval do Guarujá (CING), foi marcada pela falta de uma visão mais abrangente da infraestrutura logística e viária do Porto, fato que demonstra um certo "amadorismo" por parte da empresa e irresponsabilidade por parte da Prefeitura do Guarujá.

Nada contra o estabelecimento desta empresa na região, pois certamente a Baixada sairá ganhando com sua vinda, contudo, não podemos pagar por isto um custo tão alto que anule seus benefícios.

Leia, a seguir o post de 13 de agosto

SAIPEM: um elefante na loja de cristais

Um projeto de alto impacto vai dar o que falar, nos próximos meses. Trata-se do empreendimento da multinacional italiana SAIPEM, a ser instalado em área do antigo porto da Nobara, no Complexo Industrial Naval de Guarujá (CING), conforme foto acima.
Sem divulgação adequada, o EIA RIMA do empreendimento será discutido, em apenas uma audiência pública, a ser realizada nesta noite, na Unaerp, no Guarujá.

A SAIPEM vai trazer tubulações fabricadas no interior, para instalações offshore, para exploração de petróleo na Bacia de Santos. Até aí, muito bom.
O porém é que o acesso das carretas durante a fase de construção do empreendimento e depois, quando seriam trazidas as tubulações ao novo terminal, situado na entrada do Canal do Porto, na margem esquerda, deve ocorrer por meio de balsas.
Embora os documentos oficiais não mencionem isto, fui informado de que restrições supostamente impostas pela Prefeitura do Guarujá levaram a empresa a planejar esta solução de transporte.

E uma das opções para isto seria por meio de carretas, que chegariam na área onde hoje se localiza o Terminal Pesqueiro Público de Santos (TPPS), junto ao terminal das balsas da DERSA, via Avenida dos Portuários (atual Mário Covas).
Assim, seria construída uma "gaveta" de atracação de balsas de cada lado do estuário e durante a madrugada seria realizado o transporte das tubulações.

Contudo, o RIMA menciona a utilização das próprias balsas da DERSA para esta operação. Até onde este blogueiro foi informado, nem o Ministério da Pesca em Santos foi consultado, nem tampouco o Conselho Gestor do TPPS. Será que a DERSA foi?

Menciono esta questão, pois esta logística demandaria ou a utilização do sistema de balsas da DERSA, ou de uma área do TPPS. Neste último caso, as tubulações chegariam em uma nova "gaveta", a qual teria que ser construída na frente do TPPS, eliminando, assim, os planos de expansão que prevêem um novo pier de atracação para barcos de pesca e a ampliação da ocupação do terreno, com novos edifícios.

Mas seja lá qual for a solução para a travessia, o maior impacto, sem dúvida, será o aumento do trânsito de carretas na perimetral e demais vias portuárias da margem direita, além do cruzamento do canal, pelas novas balsas, que ocorreria de madrugada.

O RIMA menciona de 30 a 60 carretas entre meia noite e 5 horas da manhã. O que será que a CET tem a dizer sobre a questão?
Resta saber se tais aspectos serão discutidos na audiência desta noite, pois o RIMA não é muito claro a este respeito.

De fato, ao que parece, o município de Guarujá quer ficar com o filé e deixar o osso deste lado do estuário.




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